Uso crescente de canetas emagrecedoras muda o perfil de quem procura cirurgia reparadora no Brasil, segundo especialistas da área.
A popularização de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro mudou a rotina dos consultórios de cirurgia plástica no país. Além do aumento na procura por procedimentos para retirar o excesso de pele no corpo, cresce também o número de pacientes preocupados com um efeito colateral estético que ganhou nome próprio nas redes sociais: o chamado “rosto de Ozempic”.
O que é o fenômeno chamado de rosto de Ozempic
O termo descreve uma aparência mais cansada, com perda de volume facial e queda da região da mandíbula, associada a uma perda de peso rápida e expressiva. Segundo o cirurgião plástico Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o nome pode gerar interpretações equivocadas, já que o fenômeno não é uma consequência específica de um medicamento em si. O que acontece, segundo ele, é que o rosto também perde gordura quando a pessoa emagrece, e em algumas pessoas isso resulta em maior flacidez ou perda de volume, um efeito que antes era associado apenas ao envelhecimento natural e hoje aparece também em pacientes na casa dos 30 anos.
O mesmo processo acontece em outras partes do corpo. Quando o emagrecimento é rápido e expressivo, a pele nem sempre acompanha a redução de volume, o que pode deixar excesso de tecido em regiões como abdômen, braços, coxas e costas. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal O Tempo, esse cenário já era comum entre pacientes que passaram por cirurgia bariátrica, mas agora se repete também entre pessoas que emagreceram apenas com o uso de medicamentos, sem qualquer procedimento cirúrgico anterior.
Cuidados antes de considerar uma cirurgia reparadora
Médicos consultados por diferentes veículos reforçam um ponto em comum: a avaliação deve ser sempre individual, e a cirurgia plástica não é indicada para todos os pacientes que passaram por emagrecimento acentuado. A recomendação geral é aguardar a estabilização do peso antes de definir qualquer conduta cirúrgica, já que operar durante uma fase ainda instável do emagrecimento pode comprometer o resultado e a segurança do procedimento.
Outro ponto de atenção citado por especialistas é a preservação da massa muscular durante o processo de emagrecimento, já que a perda de massa magra, um efeito relatado na literatura sobre medicamentos análogos de GLP-1, pode impactar tanto a recuperação cirúrgica quanto o resultado estético final. Por isso, o acompanhamento nutricional e a prática de exercícios de força costumam ser mencionados como aliados importantes nesse período, ao lado do acompanhamento médico regular de quem está em tratamento com esses medicamentos.
Diante desse cenário, a orientação de especialistas é clara: qualquer decisão sobre cirurgia plástica após o uso de medicamentos para emagrecimento deve partir de uma consulta presencial com um cirurgião plástico habilitado, que vai avaliar o histórico de saúde, o tempo de estabilização do peso e as condições da pele e da musculatura antes de indicar, ou não, um procedimento.
Fontes: O Hoje, mudanças no perfil do lifting facial no Brasil | Boqnews, aumento da procura por cirurgia plástica após emagrecimento | O Tempo, cuidados antes da cirurgia reparadora