Como considera Alexandre Costa Pedrosa, o diagnóstico tardio de condições do neurodesenvolvimento tem revelado uma parcela significativa da população que viveu anos sem compreender a própria singularidade, especialmente no que toca a como identificar o autismo em adultos. Muitos indivíduos desenvolvem estratégias de adaptação tão sofisticadas que conseguem mascarar as suas dificuldades sociais em ambientes profissionais e familiares.
No entanto, esse esforço contínuo para mimetizar comportamentos neurotípicos costuma gerar um desgaste emocional profundo, manifestando-se como ansiedade crônica ou exaustão mental extrema. Este artigo detalha as nuances do autismo na maturidade e como o autoconhecimento pode transformar a trajetória de quem sempre se sentiu diferente. Continue a leitura para descobrir os indicadores que a vida adulta muitas vezes oculta.
Como o mascaramento social dificulta o diagnóstico em adultos?
O fenômeno conhecido como masking ou camuflagem social é uma das principais barreiras para a identificação do espectro em pessoas mais velhas. Para Alexandre Costa Pedrosa, adultos autistas frequentemente aprendem, por observação e repetição, a copiar expressões faciais, tons de voz e gestos que são considerados socialmente aceitáveis. Essa performance constante permite que naveguem pela sociedade com aparente normalidade, mas impede que as suas verdadeiras necessidades de suporte sejam identificadas por profissionais de saúde ou pessoas próximas.
A fatura desse comportamento costuma ser paga no ambiente privado, onde o indivíduo se sente finalmente livre para deixar de atuar. É comum que, após um dia de interações sociais intensas, o adulto autista precise de períodos prolongados de isolamento absoluto para recuperar as suas energias. Essa necessidade de “desligar” do mundo exterior não deve ser vista como isolamento antissocial, mas sim como um mecanismo de regulação indispensável para quem processa estímulos de forma muito mais intensa do que a média.
Quais são as pistas comportamentais na rotina profissional?
No ambiente de trabalho, o autismo pode manifestar-se através de uma dedicação excepcional a detalhes técnicos e uma preferência acentuada por processos lógicos e previsíveis. Como destaca Alexandre Costa Pedrosa, a dificuldade em ler “entrelinhas” ou compreender políticas de escritório informais pode gerar conflitos ou sentimentos de exclusão. A honestidade direta e a dificuldade em lidar com mudanças súbitas de planos são traços que, se não compreendidos, podem ser rotulados erroneamente como falta de flexibilidade ou arrogância.
A vida adulta também traz desafios sensoriais que são muitas vezes ignorados ou minimizados pela própria pessoa. Para auxiliar na reflexão sobre estes sinais, a lista abaixo apresenta comportamentos e sensações recorrentes que podem indicar a presença do espectro:
- Desconforto intenso com ruídos de fundo que outras pessoas parecem ignorar, como o barulho do ar-condicionado;
- Preferência por rotinas alimentares rígidas ou repulsa por determinadas texturas de comida e tecidos de roupa;
- Dificuldade em manter contato visual durante conversas longas, sentindo que isso exige um esforço consciente;
- Interesses profundos e quase obsessivos por temas específicos, tornando-se uma autoridade no assunto;
- Sensação frequente de estar “seguindo um guião” ou um manual de instruções para interagir com os outros.

Como a compreensão do espectro melhora a saúde mental?
Muitas vezes, adultos chegam ao diagnóstico após anos de tratamentos para depressão ou ansiedade que não parecem surtir o efeito desejado. Como frisa Alexandre Costa Pedrosa, a descoberta do autismo traz um alívio imenso, pois substitui o sentimento de ser “estranho” ou “inadequado” pela compreensão de que o cérebro apenas opera numa frequência diferente. Esta validação permite que a pessoa reorganize a sua vida respeitando os seus próprios limites sensoriais e sociais, sem a pressão de atingir padrões de produtividade neurotípicos.
A aceitação da própria neurodivergência possibilita a construção de relacionamentos mais autênticos e menos desgastantes. Ao comunicar as suas necessidades de forma clara (como pedir para evitar ambientes barulhentos ou solicitar instruções por escrito), o adulto autista ganha autonomia e reduz os gatilhos do estresse. O diagnóstico na maturidade é, portanto, um ato de liberdade e de cuidado com a própria saúde mental.
Identificar o autismo em adultos é um processo de resgate da própria identidade
Ao darmos visibilidade aos sinais que passaram despercebidos durante décadas, promovemos uma sociedade mais inclusiva e respeitosa com a diversidade funcional. O conhecimento sobre o espectro na vida adulta não serve para limitar o indivíduo, mas para oferecer as ferramentas necessárias para que ele possa viver com dignidade e autenticidade. Nunca é tarde para compreender a própria mente e buscar uma vida que honre como cada um de nós percebe e interage com o mundo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez