Médicos explicam por que medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro podem afetar a pele do rosto e do corpo, e os cuidados antes de operar.
O Brasil é hoje um dos maiores mercados mundiais de medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, usados originalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Com a popularização dessas chamadas canetas emagrecedoras, cresceu também um efeito colateral discutido entre cirurgiões plásticos: a flacidez facial e corporal associada ao emagrecimento rápido, batizada nas redes sociais de “rosto de Ozempic”. Para quem usa esses medicamentos e pensa em procurar um cirurgião plástico, entender como eles podem influenciar tanto a pele quanto a própria cirurgia é fundamental antes de qualquer decisão.
O que é o chamado “rosto de Ozempic”
O termo descreve o envelhecimento facial acelerado que pode acompanhar a perda rápida de peso provocada por medicamentos agonistas do receptor GLP-1. Segundo a Clínica Realize, o rosto perde os coxins de gordura que sustentam as maçãs e o contorno da mandíbula, resultando em um olhar mais encovado e pele com excesso de flacidez no pescoço, efeito que também pode aparecer no corpo, especialmente nos braços e no abdômen. O cirurgião plástico Walter Zamarian Jr. explica que as buscas pelo termo “rosto de Ozempic” cresceram 4.600% entre 2021 e 2024, segundo dados do Google Trends citados em estudo publicado no PubMed Central, o que mostra a dimensão do fenômeno entre pacientes.
De acordo com a CNN Brasil, dados da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) mostram aumento de 8% no número de procedimentos de lifting facial nos Estados Unidos entre 2022 e 2023, período que coincide com a popularização do Ozempic no país, embora a entidade não atribua esse crescimento exclusivamente ao uso do medicamento. A explicação médica para o fenômeno está na velocidade do emagrecimento: quando a perda de gordura ocorre mais rápido do que a pele consegue se retrair, sobra tecido, algo mais comum em perdas de peso elevadas em curto espaço de tempo.
Os cuidados antes de uma cirurgia plástica
Um dos pontos de maior atenção médica está relacionado à anestesia. Medicamentos como Ozempic e Mounjaro retardam o esvaziamento do estômago, o que pode fazer com que o paciente chegue ao centro cirúrgico com conteúdo gástrico mesmo após o jejum padrão recomendado antes de procedimentos. Isso aumenta o risco de aspiração durante a intubação, com possibilidade de complicações respiratórias graves, motivo pelo qual a Sociedade Brasileira de Anestesiologia e o Conselho Federal de Medicina vêm emitindo alertas sobre o uso dessas medicações no período próximo a cirurgias.
Por isso, a recomendação médica é que qualquer ajuste no uso desses medicamentos antes de uma cirurgia seja feito exclusivamente sob orientação do médico responsável, nunca por conta própria. O ideal, segundo especialistas, é que o paciente esteja com o peso estabilizado por algumas semanas antes do procedimento, já que operar durante uma fase de emagrecimento ativo pode comprometer a previsibilidade do resultado, uma vez que o rosto e o corpo continuam perdendo volume mesmo depois da cirurgia.
Quando vale a pena buscar avaliação médica
Não existe um momento único para procurar um cirurgião plástico depois do uso de medicamentos para emagrecimento, já que cada caso depende do grau de flacidez, da velocidade da perda de peso e da expectativa do paciente. O acompanhamento nutricional, com ingestão adequada de proteínas, e a prática regular de atividade física são apontados por especialistas como aliados para reduzir a perda de massa magra durante o tratamento, o que pode amenizar parte da flacidez associada ao emagrecimento rápido.
Diante de sinais como flacidez acentuada no rosto, pescoço ou abdômen após o uso dessas medicações, o caminho recomendado é buscar uma consulta com cirurgião plástico para uma avaliação individual, levando o histórico completo de uso do medicamento e a evolução do peso ao longo do tratamento. Esse profissional é quem poderá indicar, caso necessário, o procedimento mais adequado para cada situação, sempre considerando o momento certo para operar com segurança.
O chamado “rosto de Ozempic” mostra como o emagrecimento rápido proporcionado por medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro pode trazer consequências estéticas que vão além da balança. Antes de associar o uso dessas medicações a qualquer procedimento cirúrgico, o mais importante é manter o acompanhamento médico contínuo, tanto do especialista que prescreveu o tratamento quanto de um cirurgião plástico, caso a flacidez se torne uma preocupação. Interromper ou ajustar o uso da medicação por conta própria antes de uma cirurgia pode trazer riscos sérios, por isso essa decisão deve partir sempre de uma avaliação médica individualizada, que leve em conta o histórico de saúde completo do paciente.
Fontes:
Autor: Diego Rodríguez Velázquez