Preços mais baixos atraem brasileiros para procedimentos estéticos fora do país, mas casos de complicações graves reacendem debate sobre segurança.
A ideia de unir uma viagem internacional a um procedimento estético por um preço mais em conta segue atraindo brasileiros para países como a Turquia, um dos maiores destinos globais de turismo médico. Só em 2021, mais de 670 mil pacientes estrangeiros passaram pelo país em busca de serviços de saúde, segundo a agência estatal turca responsável pelo setor, a USHAS. Mas casos recentes de complicações graves, incluindo mortes, têm levantado um alerta importante sobre os riscos dessa prática.
Um caso que expôs os riscos do procedimento fora do país
Em 2025, a morte de uma brasileira de 31 anos após uma sequência de cirurgias estéticas realizadas em uma clínica na Turquia repercutiu amplamente. Segundo informações veiculadas pelo g1 e retomadas por outros veículos, a paciente, moradora de Moçambique, viajou ao país especificamente para realizar lipoaspiração, mamoplastia e rinoplastia. De acordo com o relato do marido, a equipe médica informou que ela ainda estava inconsciente horas após a cirurgia, até que ele recebeu versões contraditórias sobre o estado de saúde da paciente, que acabou não resistindo.
Casos como esse não são isolados. Reportagens internacionais já haviam registrado, em anos anteriores, a morte de uma turista britânica dias após um procedimento de aumento de bumbum em Istambul, vítima de uma embolia. Episódios assim reacendem uma discussão recorrente entre entidades médicas: a diferença entre um procedimento realizado com estrutura hospitalar adequada e acompanhamento pós-operatório rigoroso, e um pacote turístico que, por vezes, prioriza o volume de atendimentos e o preço competitivo em detrimento da segurança do paciente.
O que considerar antes de operar fora do Brasil
Especialistas costumam recomendar que qualquer pessoa avaliando uma cirurgia estética no exterior verifique com cuidado as credenciais do profissional responsável, incluindo se ele é de fato especialista em cirurgia plástica e não apenas um médico de outra área realizando o procedimento. Certificações internacionais de qualidade da clínica, histórico de atendimentos e a existência de estrutura para lidar com complicações também costumam ser citadas como pontos de atenção antes de qualquer decisão.
Outro fator determinante é o acompanhamento pós-operatório. Viagens organizadas para retorno ao Brasil poucos dias após a cirurgia, sem tempo suficiente de observação clínica, aumentam o risco de que complicações passem despercebidas até o paciente já estar longe do local onde o procedimento foi feito. Médicos brasileiros costumam reforçar que qualquer decisão sobre cirurgia plástica, dentro ou fora do país, deve ser precedida de avaliação presencial com um profissional habilitado, capaz de analisar o histórico de saúde do paciente e os riscos específicos de cada caso antes de qualquer indicação.
Fontes: Terra Brasil Notícias, caso da brasileira falecida na Turquia | Terra, reportagem sobre o turismo de saúde na Turquia